Com apoio de Biólogos, povos indígenas plantarão um milhão de árvores em Rondônia

FFigura 1. Mutirão agroflorestal em Pimenta Bueno (RO) - Acervo: Ecoporé


São várias as causas que exercem pressão sobre a floresta e provocam seu desmatamento. De um lado a exploração ilegal de madeiras, dos recursos minerais e a devastação de grandes áreas para o agronegócio e expansão daagropecuária. Essas práticas descomprometidas com a conservação da naturezageramdesequilíbriosmuitas vezes irreversíveis.Do outro lado, iniciativasbuscam impedir o avanço da degradação ambiental e até mesmorecuperar importantes áreas, geram alimentos e serviços ambientais.

Quando some a floresta, somem também os mananciais, a chuva, a biodiversidade, a vida. Empiricamente, e ancestralmente, os “povos da floresta”, que hoje são organizados em comunidades indígenas acompanhadas pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio), sabem disso há muitas gerações.

Confira a relação de comunidades indígenas de Rondônia segundo o Ministério Público

Para os povos indígenas, o vínculo afetivo com a naturezaé muito intenso. A floresta é a provedora de alimento, remédios, água, abrigo, renda, além de ser a essência de sua cultura. Recuperar áreas no interior dessas terras é também uma maneira de fortalecer a identidade e aconexãocom a floresta, favorecendo, como consequência, a economia indígena.

Esse aspecto cultural interligahábitos e crenças com o bioma onde habitam. As árvores, animais e igarapés pautam atitudes e posicionamentos diante da vida. É uma relação profunda, sensível e abrangente, uma mescla de admiração e respeito às leis que regem o universo. Sem a floresta, a sobrevivência dos povos indígenas se torna ameaçada.

É nesse contexto, nesse “momento crítico”, que se inserem as ações de Biólogos integrados à equipe multidisciplinar. Por conta do profundo conhecimento dos ciclos naturais e da ecologia dos ecossistemas, bem como a sensibilidade e o respeito ao etnoconhecimento, despertam segurança nos povos da floresta, pois possuem as condições necessárias para construir coletivamente mecanismospara conservação dos biomas.

Figura 2. Reserva Legal Pasto Represas (RO) – Acervo: Ecoporé


Não é segredo que boa parte da Amazônia sofre agressões constantes à sua diversidade. Mas foi a partir de umaarticulação dos Biólogos Dr.Marcelo Lucian Ferronato, Vice-Presidente do CRBio-06, (CRBio 052165/06-D)e Paulo HenriqueBonavigo, (CRBio 052732/06-D),Presidente da Ecoporédesde 2015, que foram pensadas estratégias para recuperar áreas degradadas em terras indígenas, dando inspiração à criação do ProjetoNossa Floresta, Nossa Casa: 1 milhão de árvores, com o objetivo de recuperar a floresta por meio do plantio em sistemas agroalimentares diversificados.

O Projetoestá sendo implementadopela Ação Ecológica Guaporé - Ecoporéem parceria com aIniciativa Comunidades e Governança Territorial da Forest Trends, Rede de Sementes do Xingue apoio da Fundação Arbor Day.

Em fase de implantação, o projetovisa o apoio direto a várias comunidades em territórios indígenas localizadas no Centro Sul de Rondônia eno noroeste do Estado de Mato Grosso, áreas inicialmente estabelecidas para implantação dos núcleos de ações de reflorestamento, e que se estendem por 1,5 milhão de hectares. Calcula-se que o projeto“Nossa Floresta, Nossa Casa”irá impactar positivamente uma área correspondente a 1/3 do total de áreas demarcadas no Estado de Rondônia. Está previsto que nesses territórios serão plantadas 350 mil árvores de mais de 70 espécies, distribuídas em aproximadamente 300 hectares de sistemas agroflorestais, que pretendem minimizar os efeitos negativos do desmatamento, em geral causado por intervenções externas nesses territórios, muitas delas ocorridas antes mesmo da demarcação das áreas.

Segundo o Biólogo Paulo Bonavigo, Presidente da Ecoporé,“serão utilizadas técnicas agroflorestais, que aumentarão o armazenamento de carbono e apoiarão a biodiversidade, favorecendo a segurança alimentar das comunidades”.

A inserção dessas comunidades em cadeias produtivas de produtos comercializáveis, como açaí, castanha-do-Brasil, cacau e cupuaçu (entre outros), também proporcionará renda sustentável para aqueles que manejam áreas de restauração. Em paralelo, será realizado o plantio via semeadura direta, tecnologia reconhecida e premiada adotadapela Rede de Sementes do Xingu, um importante parceiro do Projeto.

Figura 3. Sistema Agroflorestal Castanheiras Gracilda (RO), Projeto Viveiro Cidadão. Um dos vários projetos tocados pela Ação Ecológica Guaporé, sob o comando dos Biólogos Paulo Bonavigo e Marcelo Ferronato – Acervo: Ecoporé


“Nossa Floresta, Nossa Casa” prevê ainda adquirir as sementes produzidas pelas comunidades, garantindo assim a sustentabilidade e continuidade das melhorias, ao possibilitar aos povos indígenas inclusos no projeto a geração de renda dentro dos princípios da sustentabilidade,além dofortalecimentoda cadeia de restauração na região sudoeste da Amazônia. A previsão é que o projeto esteja completamente implantado até o início de 2022.

Para o Biólogo Dr. Marcelo Ferronato,Coordenador do Projeto pela Ecoporé, “oNossa Floresta, Nossa Casa chegou em um momento importante: irá contribuir para o fortalecimento da bioeconomia e inserção dos produtos indígenas nas cadeias produtivas da sociobiodiversidade, promoverá a recuperação de áreas desmatadas nas terras indígenas, fixação de carbono, dentre outros benefícios associados aos objetivos do desenvolvimento sustentável”.

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Matéria produzida pela Comissão de Transparência do CRBio-06 – Conselho Regional de Biologia 6ª Região - AC | AM | AP | PA | RO | RR - Sistema CFBio/CRBios. (Abril2021).

[Postado em 29/04/2021 | 1098 visualizações]


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